Skip directly to content

CPI dos Combustíveis ouve empresário e representante do Sinpetro/MS

Por: 
Da assessoria
17/05/2016

A CPI dos Combustíveis, instalada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para investigar possíveis irregularidades nos preços de comercialização de distribuição de combustíveis no Estado, ouviu na sessão dessa terça-feira, 17/05, depoimentos de representantes de distribuidora e do Sinpetro/MS. A Comissão é presidida pelo deputado estadual Beto Pereira (PSDB) e tem como relator o deputado estadual Maurício Picarelli (PSDB).

O primeiro a depor foi Luis Ricardo Coutinho, diretor comercial da TAG Distribuidora de Combustíveis, que afirmou que Mato Grosso do Sul pratica o menor preço de revenda ao consumidor do país. Considerando que a refinaria mais próxima do Estado está a mil quilômetros, Coutinho disse não entender o porquê de MS vender a um preço menor que em Estados, como São Paulo por exemplo. “Mesmo se levarmos em conta a carga tributária, não se justifica um preço abaixo do que em outros Estados, pois no Mato Grosso do Sul os impostos são maiores”, afirmou Luis Ricardo.

Questionado se existe uma diferença de preço na revenda de produtos para postos de combustíveis de Campo Grande e do interior, Luis Ricardo afirmou que não. “O que há são alguns descontos para quem compra à vista ou adquire uma grande quantidade. Mas o valor é o mesmo e gira em torno de R$ 2,98 o litro”, disse Coutinho. 

O empresário ressaltou ainda que a diferença de valor entre postos de Campo Grande e de municípios do interior se deve a guerra de concorrência e uma competição exacerbada entre os revendedores para conseguir comercializar cada vez mais volumes do produto. “Estamos em um mundo capitalista. O preço é livre, então os postos praticam aquilo que acreditam estar em acordo com as leis de mercado. Porém, a margem de lucro na Capital é bem menor que no interior e não dá para entender como conseguem sobreviver”, concluiu.

O deputado Beto Pereira solicitou ao depoente que encaminhe documentos fiscais que comprovem que não há diferença na revenda de combustíveis para postos do interior de Campo Grande. A TAG Distribuidora de Combustíveis detém hoje 5% do mercado em Mato Grosso do Sul. 

O segundo depoente foi o presidente do Sinpetro/MS, Edemir Jardim. De acordo com o sindicalista, a entidade não tem a competência de estabelecer parâmetros de preços a serem praticados. “Somos uma entidade que apenas acompanha o funcionamento correto dos postos. Verificamos se estão obedecendo a normas pré-estabelecidas. Quanto ao preço, o mercado e livre e cada revendedor negocia como pode, desde que não ultrapasse a pauta determinada para o Mato Grosso do Sul que é de R$ 3,65 o litro”, afirmou Jardim. 

Sobre uma fiscalização feita pelo Procon/MS no ano de 2015 em 38 postos de Campo Grande que aumentaram o preço dos combustíveis ao mesmo tempo, o presidente do Sindicato foi indagado se ouve na ocasião combinação de preços entre os postos. Edemir Jardim negou essa prática e justificou a ação como um reflexo de uma divulgação prévia de aumento de preços feita por parte da imprensa. “O vendedor já está com preço defasado. Vem a imprensa e noticia que haverá aumento, então eles correm para corrigir essa defasagem e aumentam o valor na bomba. Mas posso afirmar que não houve combinação”, disse o presidente. 

Edemir Jardim ressaltou que a diferença de preços entre postos do interior e de Campo Grande, onde a capital é sempre mais barato, é em função da concorrência acirrada e que o interior trabalha com o preço justo. “A margem de lucro no interior, cerca de 16% maior que na Capital, é a mais adequada para o mercado e a razoável para manter o custeio das empresas”, afirmou. O Sinpetro/MS possui 600 postos associados que juntos geram 9.500 empregos. 

O presidente da CPI, deputado Beto Pereira, disse que as oitivas da sessão contribuíram para esclarecer pontos onde ainda existiam dúvidas. “Foram depoimentos conclusivos e que ajudarão na elaboração do relatório final. A próxima etapa é convocar mais três representantes de distribuidoras de combustíveis para as últimas oitivas. Em breve os trabalhos estarão sendo concluídos”, finalizou Beto Pereira.